RN fortalece polo de tecnologia e inovação com avanço de startups

Estado registra crescimento de 21,3% no número de startups
27-07-2026 / ASCOM
Carol Reis

O Rio Grande do Norte tem ampliado sua relevância no cenário nacional de tecnologia e inovação. Dados do Sebrae Startups Report Brasil 2025 mostram que o estado alcançou 677 startups ativas entre agosto de 2024 e agosto de 2025, crescimento de 21,3% em relação ao levantamento anterior. Com esse desempenho, o RN figura entre os estados brasileiros com maior número de startups, chegando a ocupar, em 2024, a quarta posição no Nordeste, atrás apenas de Pernambuco, Ceará e Bahia.

O resultado acompanha outro reconhecimento recente. Em 2025, o estado foi apontado pelo quinto ano consecutivo como líder em inovação no Nordeste, alcançando a 12ª colocação no Índice Brasil de Inovação e Desenvolvimento (IBID), promovido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).

Parte desse desenvolvimento pode ser observado na trajetória do Parque Tecnológico Metrópole Digital (Metrópole Parque). Em menos de uma década, o número de empresas com CNPJ ligadas ao Metrópole Parque saiu de 31, em 2017, para 222 em 2026, consolidando um crescimento de 616%. 

Para o diretor do Metrópole Parque, Rodrigo Romão, os números evidenciam a importância da articulação entre formação acadêmica, pesquisa aplicada e desenvolvimento empresarial. “Os dados refletem a expansão das iniciativas de apoio ao empreendedorismo tecnológico e à aproximação entre universidade e mercado, estratégia que tem contribuído para a criação e o fortalecimento de empresas de base tecnológica no estado”, destaca.

Formação de talentos impulsiona expansão do setor

O avanço da tecnologia no estado também está diretamente relacionado à formação de mão de obra qualificada. No fim de 2025, o Bacharelado em Tecnologia da Informação do Instituto Metrópole Digital (IMD/UFRN) alcançou a marca de mil profissionais formados, enquanto o curso técnico já contabiliza mais de 1.800 egressos, reforçando a oferta de talentos para o mercado local.

Na avaliação da EPTEC, sindicato que reúne Empresas Potiguares de Tecnologia, o crescimento do número de startups no Rio Grande do Norte está ligado ao amadurecimento do ecossistema de inovação e, sobretudo, à capacidade de formação de profissionais pelas instituições de ensino e pesquisa do estado.

“Mais do que formar profissionais qualificados, as instituições de ensino vêm formando pessoas com uma visão empreendedora muito mais forte do que observávamos há alguns anos. Cada vez mais estudantes e pesquisadores enxergam a inovação e o empreendedorismo como caminhos naturais para transformar conhecimento em impacto econômico e social, contribuindo para o surgimento de novos negócios de base tecnológica”, afirma George Bulhões, diretor de Startups e de Relacionamento da EPTEC.

Além do fortalecimento da cultura empreendedora, a entidade destaca a contribuição de programas de fomento à inovação, como Centelha, TecNova/FINEP e Startup Nordeste. Outro fator apontado por Bulhões é o avanço da Inteligência Artificial. 

“A IA está transformando não apenas a produtividade das empresas, mas também a forma como novos negócios surgem. Hoje um empreendedor consegue validar uma ideia, testar um mercado e desenvolver um MVP em semanas, algo que antes poderia levar meses e exigir muito mais recursos. Isso tem acelerado a criação de startups e democratizado o acesso à inovação, permitindo que mais pessoas transformem conhecimento em negócios escaláveis”, conclui.

Ecossistema integrado fortalece ambiente de inovação

O avanço do setor de tecnologia também está relacionado ao fortalecimento do Ecossistema Local de Inovação (ELI Natal). O ambiente reúne atualmente cerca de 28 instituições e organizações de diferentes segmentos, incluindo universidades, centros de pesquisa, entidades empresariais, órgãos públicos e ambientes de inovação.

Segundo a agente local de inovação do Sebrae-RN, Débora Melo, o crescimento da inovação no estado é resultado de um esforço coletivo. “O ELI tem exercido um papel importante de articulação, conexão e fortalecimento das iniciativas já existentes no território. Esse crescimento e reconhecimento nacional não se dá apenas pela quantidade de iniciativas, mas principalmente pela melhoria na articulação e colaboração entre os atores do ecossistema” , aponta Débora.  

O modelo também vem sendo ampliado para áreas estratégicas da economia potiguar, por meio de iniciativas como o ELI Agro e o ELI da Construção Civil. “A proposta é aproximar diferentes organizações, com a possibilidade de olhar com mais profundidade para os desafios e oportunidades de cada setor”, finaliza.