Coordenador do PPgBioinfo vai presidir Sociedade Brasileira de Genética

Docente será o primeiro de instituição potiguar a presidir a entidade científica em 71 anos
15-10-2026 / ASCOM
Bioinformática BioME Comunidade
Felipe Araújo

O professor Rodrigo Dalmolin, do Departamento de Bioquímica (DBQ) da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e coordenador do Programa de Pós-graduação em Bioinformática (PPgBioinfo) do Instituto Metrópole Digital (IMD) foi eleito presidente da Sociedade Brasileira de Genética (SBG) para o biênio 2026–2028.

A eleição ocorreu durante o processo eleitoral da entidade, com resultado computado em assembleia realizada na ocasião do 71º Congresso Brasileiro de Genética, ocorrido em Florianópolis (SC). A escolha marca a primeira vez que um pesquisador de uma universidade do Rio Grande do Norte assume a presidência da sociedade e a segunda vez que um representante do Nordeste ocupa o cargo em seus 71 anos de história.

A eleição também reflete a ampliação da participação de pesquisadores de diferentes regiões do país nos espaços nacionais de representação científica. Segundo Dalmolin, o investimento em ensino e pesquisa no Nordeste nas últimas décadas tem contribuído para fortalecer a presença de instituições e pesquisadores da região nesses ambientes.

“Eu acho que isso é mais um exemplo do protagonismo cada vez maior que a Bioinformática tem nas instâncias científicas nacionais e internacionais”, afirma o professor, que estará à frente do cargo pelos próximos dois anos. Para ele, a eleição está relacionada principalmente ao trabalho coletivo desenvolvido na UFRN, que tem contribuído para consolidar a universidade como referência na área.

Discussões nacionais

Na avaliação de Dalmolin, a consolidação do Núcleo Multiusuário de Bioinformática (BioME) e do PPgBioinfo como referências na área teve papel importante para ampliar a visibilidade do trabalho realizado na universidade. A qualidade das pesquisas, a formação dos estudantes e a atuação dos docentes contribuíram para fortalecer a presença do grupo nas discussões científicas nacionais.

“Um reflexo, sem sombra de dúvidas, do que me levou a assumir a presidência da sociedade foi muito mais o papel que eu exerço junto com a nossa comunidade aqui, o trabalho que coletivamente desenvolvemos na área de Bioinformática”, destaca.

A diversidade de experiências acadêmicas do corpo docente, aliada à qualidade dos trabalhos publicados e ao reconhecimento dos alunos, também contribui, segundo o professor, para aproximar a comunidade científica da UFRN de outras instituições e instâncias de decisão da ciência brasileira.

Sociedade Brasileira de Genética

Fundada em 1955, a Sociedade Brasileira de Genética é uma das entidades científicas mais tradicionais do país e reúne pesquisadores e profissionais de diferentes campos da Genética. Sua atuação envolve a realização de congressos, a promoção de eventos regionais, a publicação de periódicos científicos e de divulgação científica, além da emissão de títulos de especialista em áreas específicas.

Entre suas publicações estão a revista internacional Genetics and Molecular Biology e a revista Genética na Escola, voltada também ao ensino da disciplina para jovens.

Além disso, o principal evento da entidade é o Congresso Brasileiro de Genética, realizado anualmente em diferentes cidades brasileiras. A edição de 2026, em Florianópolis, reuniu mais de 1,3 mil pessoas e recebeu mais de 800 trabalhos submetidos em formato de pôster, segundo Dalmolin.

Nordeste

Dalmolin destaca que a ampliação dessa presença regional é importante para reduzir desigualdades históricas no acesso às oportunidades de participação científica. Segundo ele, o Nordeste enfrentou limitações de investimento e de formação ao longo de sua trajetória, mas os avanços na educação superior e na pesquisa têm contribuído para mudar esse cenário.

A composição da nova diretoria, com integrantes de diferentes regiões brasileiras, também pode favorecer a pluralidade de perspectivas na definição das pautas da entidade. Para o professor, a participação de pesquisadores que conhecem realidades distintas ajuda a evitar que as decisões atendam apenas às demandas de determinados centros de pesquisa.

“Isso aumenta a pluralidade de visões, de forma que a gente consiga ter demandas e ter pautas que não vão ser específicas para uma ou outra realidade, mas que vão tentar melhorar a pluralidade da sociedade, de geneticistas do Brasil como um todo”, afirma.